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Colapso de traqueia

O colapso de traqueia é uma condição respiratória que afeta especialmente cães de raças pequenas, podendo comprometer significativamente sua qualidade de vida. Esta enfermidade tem causa ainda desconhecida, porém cães de pequeno porte, com idade entre 5 e 9 anos, as raças yorkshire, poodle miniatura, spitz alemão, chiuaua, maltês e pug são mais propensos ao colapso traqueal..
O colapso de traqueia é uma condição na qual a cartilagem dos anéis traqueais torna-se mais fraca e perde a sua rigidez normal, resultando em um estreitamento do lúmen traqueal, podendo ocorrer em sua na porção cervical, torácica ou em múltiplas regiões, simultaneamente.
De acordo com a redução do lúmen traqueal, há quatro graus de classificação do colapso traqueal proposto por Tangner e Hobson (1982):
- Grau I: a traqueia está quase normal. O lúmen traqueal está reduzido em aproximadamente 25%;
- Grau II: o lúmen está reduzido em aproximadamente 50%;
- Grau III: O lúmen está reduzido em aproximadamente 75%;
- Grau IV: O lúmen está praticamente obliterado.

A causa mais provável deste quadro está associada a uma redução de glicosaminoglicanos e sulfato de condroitina, além de pode haver uma anormalidade primária ou congênita da cartilagem.
Os principais sinais clínicos são tosse seca e não produtiva, e/ou espirro reverso, dificuldade respiratória, intolerância ao exercício e em alguns casos, síncopes devido a obstrução das vias aéreas. Nos animais obesos, estes sinais clínicos podem ser mais graves e quase 50% dos cães acometidos possuem algum grau de obesidade.
Esses sinais podem se iniciar ou se agravar em momentos de excitação, compressão da região traqueal, ingestão de água ou alimento, de exercício físico ou em paciente que apresentem sobrepeso/obesidade.
Já na visão da MTC, a maioria dos sinais clínicos do colapso de traqueia se relacionam ao Movimento Metal com uma especial ênfase no Pulmão e, tem seu diagnóstico relacionado à tosse produtiva. As causas dessas alterações podem ser classificadas em: Deficiência de yin do pulmão, umidade e calor no pulmão, Deficiência de yin do rim, deficiência de yin do coração.
- A deficiência de yin do pulmão é uma incapacidade do órgão de cumprir sua função de troca gasosa, geralmente por uma incapacidade física pela obstrução do meridiano, causando assim tosse (mais comumente tosse não produtiva). Com a cronificação deste estado se esgotam as secreções o que vai causar na MTC um esgotamento de fluidos corpóreos (Jin Ye), levando o organismo a gerar sinais de calor vazio (febre baixa e animal ofegante, entre outras coisas).
- Há duas formas de a umidade e o calor se acumularem no pulmão: a) Invasão do pulmão por agentes patogênicos externos, que na medicina ocidental correspondem a infecções respiratórias (bacterianas ou virais). b) Umidade e calor endógenos gerados por deficiência do baço e desequilíbrios dos órgãos internos que podem gerar calor, em especial desequilíbrios no rim. Estes padrões são relacionados com calor vazio (apresentando febre baixa especialmente a noite e pelos secos).
- No quadro do colapso de traqueia geralmente o padrão se refere a deficiência de rim gerando um desequilíbrio no metabolismo de líquido orgânico, provocando seu acúmulo nos pulmões. Também há casos de infecções respiratórias crônicas que pela obstrução local causam o colapso de traqueia, mas geralmente este quadro está associado a uma predisposição genética dos animais (deficiência de essência – Jing).
- O equilíbrio rim-pulmão é basicamente de fluidos corpóreos no corpo. O pulmão tem a função de descender, em especial o Qi, e o rim é o responsável por manter este Qi. Na deficiência de yin do rim o balanço existente entre o rim e o pulmão se desfaz. Com a deficiência de yin do rim esta função se perde e os fluidos não conseguem se manter no aquecedor inferior tendendo a se acumular. Este acúmulo, mais a falta de ação para eliminação dos líquidos impuros, causa o acúmulo de umidade que tende a estagnar todo o funcionamento do organismo, sendo esta a causa mais comum no diagnóstico de colapso de traqueia, detectado precocemente, e com tendência a evoluir e se complicar cada vez mais.
- Embora na medicina ocidental as cardiomiopatias dilatadas sejam um dos fatores que mais afetam e causam colapso de traqueia, na MTC a deficiência de yin do coração é a causa menos provável, porém ela implica em alterações comportamentais que agem em conjunto com os sinais clínicos do colapso de traqueia.
O diagnóstico do colapso de traqueia em cães é baseado na anamnese, levando em consideração a predisposição racial e a sintomatologia clínica apresentados pelo paciente e o método mais utilizado é a radiografia cervical e torácica,

O diagnóstico diferencial deve se basear em doenças que provocam tosse crônica ou outros desconfortos respiratórios como a síndrome dos braquicefálicos, bronquites, tonsilite, colapso de laringe, alergias, cardiopatias, dirofilariose, degeneração de valva mitral, estenose e neoplasia traqueal, paralisia ou paresia da laringe.
O tratamento para o colapso traqueal será determinado pela gravidade do quadro, podendo ser dividido em abordagem aguda e terapia crônica. Inicialmente é tratado de forma medicamentosa baseado na administração de glicocorticoides, supressores da tosse, broncodilatadores e antibióticos. Em alguns casos, procedimentos de nebulização podem ser utilizados.
O tratamento pela MTC objetiva retirar a umidade e calor do aquecedor inferior, tonificar o rim e desfazer a estagnação local provocada por estes fatores patogênicos, sendo que a desobstrução energética local é o principal para a resolução desta patologia.

Se seu animalzinho apresentar sintomas compatíveis com o colapso de traqueia, leve-o para uma consulta com o(a) Médico(a) Veterinário(a) de sua confiança para uma consulta e a acupuntura pode ser uma aliada ao tratamento na busca de uma melhor qualidade de vida para ele.
Catiane Lopes
DesignationMédica Veterinária graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2012. Mestre em Ciência Animal pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2016. Especialização em acupuntura veterinária pelo Instituto Jaqueline Pecker, em 2013, e pelo Instituto Incisa Imam, em 2018. Atua como veterinária clínica geral e acupunturista veterinária de pequenos animais.
Bibliografia
- Lobo Júnior, José Eduardo Silva. Acupuntura na prática clínica veterinária. São Caetano do Sul, SP: Interbook, 2012.
- https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/17675/2/Jhonny_Rodolfo_Ramos_Santos.pdf
- https://ri.ufs.br/handle/riufs/17675

