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Leishmaniose Visceral Canina: sintomas e tratamento.

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leishmaniose visceral em cachorro

A leishmaniose visceral canina tem grande importância para a saúde pública, pois se trata de uma zoonose grave.

Diversos tutores de cães ficam muito ansiosos quando esses animais começam a apresentar qualquer tipo de sintoma que aparente ser a leishmaniose canina. Aliás, como essa é uma doença de muita importância, você que tem um cachorrinho de estimação deve estar sempre atento(a).

Então, venha conosco entender quais os principais sinais e sintomas da Leishmaniose visceral canina e como principalmente evitar que o seu cachorro apresente essa doença.

Mas, Leishmaniose Visceral Canina: O que é?

A leishmaniose é uma doença transmitida pela fêmea do mosquito conhecido como “mosquito-palha” ou birigui. O mosquito é responsável por transmitir um protozoário do gênero Leishmania.

Essa doença pode ter diferentes sintomas, a depender do local em que o protozoário irá infectar. Os sintomas são divididos em dois grandes grupos: a. Leshmaniose Cutânea; e b. Leishmaniose Visceral (ou Calazar).

Como se dá a transmissão da Leishmaniose Visceral Canina?

A transmissão da Calazar se dá quando o mosquito suga o sangue de um animal que está contaminado com com a Leishmania e, assim, ao picar um outro animal sadio ou um ser humano, o mosquito transmite o parasita causador da Leishmaniose.

E quais são os sintomas da Leishmaniose Visceral Canina?

Na leishmaniose visceral canina, os sintomas dependerão da interação do parasita com o sistema imune do cachorro infectado.

Assim, podemos ter três níveis de sintomas para os cães:

  1. Ausência de sintomas: os cães estão infectados, mas não apresentam nenhum sinal clínico;
  2. Sintomas leves: os cachorros apresentam perda moderada de peso e discretas lesões de pele;
  3. Sintomas graves:  os cães tem lesões de pele mais evidentes, engrossam as unhas, apresentam lesões nos olhos, entre outras complicações.
leishmaniose visceral canina
Arquivo pessoal: Drª Catiane Lopes

Por essa variedade de sintomas, é importante que todos os animais suspeitos sejam diagnosticados Desta forma, passou-se a considerar cães com leishmaniose clínica aqueles com alterações clínicas , de patologia clínica e com infecção confirmada laboratorialmente, e cães com leishmaniose subclínica ou clinicamente sadios aqueles que não apresentam sinais clínicos ou alterações de patologia clínica, mas que tenham infecção confirmada.

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Então, quais as alterações na pele mais comuns?

O padrão mais comum da leishmaniose canina é a ausência de pelos e descamação da pele. Entretanto, quando os casos evoluem para os sintomas mais graves, o cachorro com leishmaniose visceral canina apresenta forte inflamação da pele com úlceras.

Após as alterações de pele, o animal manifesta inflamação nos linfonodos, popularmente conhecido como íngua. Como alterações oculares é comum desenvolver conjuntivite, blefarite e uveíte.

Em boa parte dos casos é observado perda de peso, atrofia muscular, grave desequilíbrio proteico e hemorragias (principalmente no focinho). Além disso, problemas renais são muito frequêntes também em cães com Leishmaniose.

Mas como é feito o diagnóstico da doença?

Tanto para o diagnóstico de leishmaniose visceral humana quanto canina, podemos utilizar os métodos de identificação direta do parasita ou testes que demonstram que o animal está doente, mas de modo indireto.

Assim, a confirmação do diagnóstico da Leishmaniose canina pode se basear em métodos parasitológicos (mielograma, biópsias e esfregaço sanguíneo), sorológicos (Elisa, RIFI) e moleculares (PCR).

Outras doenças que parecem a Leishmaniose Visceral Canina:

É importante considerar e descartar outras enfermidades no diagnóstico diferencial, uma vez que a apresentação clínica é também muito variável, como por exemplo: sarna demodécica, desordens de queratinização, seborreia, adenite sebácea, pioderma, lúpus eritematoso, poliartrite, glumerolonefrite, e lesões de pele por vasculite, dermatofitose e hemoparasitoses.

Tratamento da Leishmaniose Visceral Canina:

Desde 2013 o tratamento contra a Leishmaniose Visceral Canina já é autorizado no Brasil.

Aliás, o Milteforan® é o único produto leishmanicida aprovado para uso no tratamento veterinário no Brasil. Portanto, a forma mais eficaz de combater a doença é evitar o contato entre o mosquito palha infectado e o cão.

Dessa forma, medidas contra o vetor devem ser adotadas no ambiente e focadas no cão, incluindo: imunoprofilaxia pela vacinação, uso de coleira repelente, inseticidas tópicos, limpeza de ambientes, evitar passeios a partir do entardecer.

Antes de se fazer a vacinação, é necessário a realizar o exame sorológico para determinar se o cão tem a doença. Sendo resultado negativo, o animal deverá receber três doses da vacina Leish-Tec®, em intervalos de 21 dias, com um reforço anual.

A vacina Leish-Tec®, produzida pela HertapeCalier, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A Leish-Tech® induz resposta imune protetora contra a infecção por L. donovani, L. amazonensis e L. chagasi. Ao se realizar os testes de rotina como RIFI ou ELISA, os animais vacinados mantêm a sorologia negativa.

leishmaniose visceral canina
Antes do tratamento
(Foto do Arquivo pessoal da Drª Catiane Lopes)
leishmaniose-em-caes
Resultado após tratamento
(Foto do arquivo pessoal da Drª. Catiane Lopes)

Se seu animalzinho apresentar alguma alteração, leve-o para uma consulta com o(a) Médico(a) Veterinário(a) de sua confiança e a acupuntura veterinária pode ser uma aliada ao tratamento na busca de uma melhor qualidade de vida para ele.

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Médica veterinária graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2012.
Mestre em Ciência Animal pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2016.
Especialização em acupuntura veterinária pelo Instituto Jaqueline Pecker, em 2013, e pelo Instituto Incisa Imam, em 2018.
Atua como veterinária clínica geral e acupunturista veterinária de pequenos animais.


Referências Bibliográficas:

Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia da UFMG. Leishmaniose Visceral. Nº 65 – Maio de 2012.

Baneth, Gad, e colaboradores. Canine leishmaniosis – new concepts and insights on an expanding zoonosis: part one. 2008.

Pereira, André e Maia, Carla. Leishmania infection in cats and feline leishmaniosis: An updated review with a proposal of a diagnosis algorithm and prevention guidelines. 2021.

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