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Vida de bicho

Cachorro Bravo: Como a Medicina Tradicional Chinesa pode ajudar?

Catiane Lopes

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Cachorro bravo ou um cão agressivo é o desejo de muitos tutores que querem proteger o seu lar e família, mas, também é o transtorno de muitos daqueles que desejavam apenas um pet.

Nesse sentido, do ponto de vista da medicina veterinária comportamental, a agressividade não é por si um comportamento anormal ou inapropriado.

Mas, como posso ajudar o meu cachorro bravo?

O cachorro bravo pode se expressar de várias maneiras, como por exemplo, por rosnados.

Assim, quando o tutor reconhece os sinais emitidos pelo cachorro e os respeita, ele ajuda na diminuição da possibilidade de acontecerem acidentes.

Contudo, quando o tutor resolve ser o “líder da matilha”, ou seja, “dominar o seu cão”, a chance de ocorrerem imprevistos é sempre maior.

Por exemplo, a maior parte dos atendimentos em medicina veterinária comportamental nos EUA ocorre por agressões inapropriadas aos animais e por isso a família passa a ter uma má convivência com o seu bichinho.

No Brasil, a situação não é diferente, apesar de haver ainda poucos estudos sobre as causas de mordidas e outros acidentes entre os cães e os humanos.

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Em suma, de uma maneira geral, quando o cachorro bravo passa a ser tratado adequadamente, ele tende a melhorar. Entretanto, nos casos de agressões inapropriadas, a cura fica mais difícil.

De acordo com a Medicina Tradicional Chinesa (MTC), a agressividade faz parte do elemento fogo e é categorizada como um distúrbio obsessivo-compulsivo ou uma alteração Kuang, do tipo Yang, que se associa com agressividade/violência em um quadro agudo.

Sendo assim, como o elemento fogo atua no cachorro bravo?

As causas dessas alterações se classificam em: i. Fogo em excesso por deficiência do controle da água; ii. Fogo e hiperatividade do yang do fígado; e iii. Fogo no coração.

i. Fogo em excesso:

Primeiramente, no cachorro bravo a causa mais comum de distúrbios comportamentais é o fogo em excesso por deficiência de controle da água.

A água controla o fogo, por isso, um desequilíbrio no movimento da água gera sinais de agressividade e agitação causando problemas de comportamento.

ii. Fogo e hiperatividade do yang do fígado:

Em suma, a agressividade por fogo ocorre tanto por uma deficiência de Yin, mais comum em cães mais idosos e submetidos a situações de stress, como por uma situação de excesso pela estagnação do Qi do coração (energia) por períodos prolongados, o que gera também a formação de calor. 

iii. Fogo no coração:

Em primeiro lugar, em casos de fogo no coração, um fator diagnóstico usado é a alteração do sono, que estará interrompido e agitado. Além disso, em alguns casos os cães irão latir constantemente.

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Então, como tratar meu cachorro bravo?

Primeiramente, deve-se lembrar que o tratamento da agressividade pela medicina veterinária comportamental ocidental se baseia na modificação do manejo do animal e no treinamento por dessensibilização e contracondicionamento.

Além disso, esse tratamento pode ou não ser acompanhado de terapia medicamentosa, a critério do veterinário.

No entanto, a medicina integrativa pode oferecer uma abordagem complementar.

Acima de tudo, o tratamento para esses quadros objetiva acalmar a mente e fazer o Qi circular para se manter o equilíbrio entre fogo e água e liberar qualquer estagnação que possa estar presente, de modo a aliviar tanto fígado quanto coração.

Certamente, a seleção de pontos de acupuntura para o tratamento fica a cargo do acupunturista.

Ele irá escolher os pontos de acordo com a avaliação do animal visando retirar calor do sangue e acalmar a mente/coração, aumentar o yin e retirar/evitar estagnações no fígado e coração.

Normalmente, a acupuntura funciona de forma razoável para combater a agressividade.

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Mas em casos mais complicados, podemos lançar mão de outros recursos, tais como as terapias dietéticas, moduladores de comportamento e fitoterapia chinesa.

Portanto, se o seu animalzinho apresentar um quadro de agressividade, leve-o para uma consulta com o (a) Médico (a) Veterinário (a) Comportamentalista de sua confiança e lembre-se de que a acupuntura pode ser uma aliada no tratamento e na busca de uma melhor qualidade de vida para ele.


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Yin e Yang: Teoria da Medicina Veterinária Tradicional Chinesa.

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catiane-lopes

Médica veterinária graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2012.
Mestre em Ciência Animal pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2016.
Especialização em acupuntura veterinária pelo Instituto Jaqueline Pecker, em 2013, e pelo Instituto Incisa Imam, em 2018.
Atua como veterinária clínica geral e acupunturista veterinária de pequenos animais.

Instagram: @catianelopes.cl
E-mail:
catianelopes@yahoo.com.br

clube dos bichos

Médico Veterinário graduado pela Universidade de Brasília (UnB), em 2002.
Mestre em Patologia Animal pela Universidade Estadual Paulista (UNESP).
Atua como Médico Veterinário na área de Bem-Estar Animal (desde 2013) e na área de Medicina Veterinária Comportamental (desde 2016).
Atualmente também trabalha como Analista em Ciência e Tecnologia do MCTIC na área da Saúde.

Site: www.dogatwork.com.br
Instagram: @dogmywork
E-mail:
fabiano@dogatwork.com.br


Referência Bibliográfica:

Lobo Junior, J. E. S.. Acupuntura na prática clínica veterinária. São Caetano do Sul, SP: Interbook, 2012.

Overall, K.L.. Overview of Canine Genetics & Neurochemistry of Aggression: Normal and Abnormal, 2003.

Miklósi, A.. Dog Behaviour, Evolution, and Cognition. Oxford University Press. 2015.

Landsberg, G. M.. Behavior Problems of the Dog and Cat. Saunders Ltd. 2013.

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