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Moxabustão na Medicina Veterinária Tradicional Chinesa

Entenda como a moxabustão pode ajudar seu melhor amigo.

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Moxabustão: você sabe para que serve essa técnica da Medicina Tradicional Chinesa? Venha conhecer tudo sobre o uso da moxa na medicina veterinária.

Mas o que é Moxabustão ou Moxaterapia?

Moxabustão é uma técnica que compõe um dos pilares da Medicina Veterinária Tradicional Chinesa (MVTC). Consiste em um método de aplicação de estímulo térmico, por meio de bastão de ervas, para fins terapêuticos em pontos de acupuntura, meridianos e diferentes regiões do corpo.

Esse estímulo é feito pela queima do bastão contendo a erva Artemisia vulgaris sobre ou próximo à pele do animal, com o objetivo de liberar e direcionar Qi (energia) e Xue (sangue) ao local em tratamento, dispersar frio, eliminar umidade e aquecer yang.

Portanto, a moxabustão é um outro método terapêutico da MVTC não invasivo e intimamente ligado à acupuntura. Aliás, na antiguidade, o tratamento com moxabustão era passado como terapia domiciliar ou utilizada pelos assistentes dos acupunturistas.

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E qual é o significado de Moxabustão?

A palavra moxabustão vem de moxa= tipo de preparação de artemisia e bustum= local de queimadura. Neste caso há aplicações locais de calor por intermédio da combustão de bastões ou cones de moxa, também chamada de Ignipuntura (ignis = fogo).

Mas qual a ação biológica da acupuntura com moxa?

O calor sobre as fibras vegetativas da Artemisia pode explicar os efeitos positivos desta técnica.

Certamente, a aplicação local de calor acarreta por reflexo um aumento dos vasos simpaticolíticos, promovendo uma hiperemia (maior suprimento sanguíneo local) de áreas da pele com problemas.

Esse direcionamento sanguíneo, aliado a outros fatores do tratamento, ajudam nossos melhores amigos a reconstituírem os tecidos afetados.

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Afinal, quais as funções básicas da erva Artemísia?

  • Aquecer canais e eliminar frio – tanto pela natureza quente da erva, quanto pelo uso do fogo;
  • Induzir o fluxo suave de Qi e Xue – tem natureza ácida e quente e acelera o movimento, e por isso consegue induzir o fluxo;
  • Fortalecer o yang colapsado – devido à natureza quente e tonificante;
  • Nutrir o Xue – porque a moxa tem afinidade pelo sangue, e o vazio de sangue produz frio, sendo assim, a moxa ajuda aquecer e nutrir o sangue;
  • Tonificar o Yin – porque a moxa suplementa todos os aspectos do corpo, inclusive o yin.

Na acupuntura tradicional chinesa, a moxa é empregada em muitas situações, como de vazio e de fraqueza, para assim aumentar novamente a energia do corpo, ou seja, a energia vital e de calor, regula Qi e Xue, é contra indicada em quadros de calor (ex.: feridas infeccionadas, tumores ulcerados).

Já na acupuntura tradicional japonesa é usada em menor frequência, com objetivo de tonificação ou sedação de pontos da acupuntura (de acordo com a quantidade de reações na pele).

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Diferença importante entre os tipos de tratamento com moxabustão:

1. Moxabustão direta:

A moxabustão direta é realizada com a queima dos cones diretamente sobre a pele, em pontos de acupuntura escolhidos para cada tratamento. Dependendo da intensidade do calor aplicado ao ponto, classifica-se em com ou sem cicatriz.

Para a aplicação da forma direta os pelos ao redor do ponto tratado são removidos, aplicando primeiramente um creme suave na pela para protegê-la de queimadura.

A temperatura no local da aplicação pode atingir 70ºC. A moxa direta exala um cheiro mais agradável e provoca menos incômodo para o animal.

2. Moxabustão direta com cicatriz:

A moxabustão direta com cicatriz tem pouco uso em pequenos animais por se tratar de uma forma incômoda e dolorosa.

3. Moxabustão direta sem cicatriz:

A forma direta sem cicatriz se assemelha à primeira técnica, ou seja, queima-se os cones de moxa diretamente nos pontos desejados.

Entretanto, a diferença consiste na remoção do estímulo assim que o paciente reage ao calor.

4. Moxabustão indireta:

A moxabustão indireta evita o contato direto da moxa com a pele. Portanto, utiliza-se essa variação para problemas musculares crônicos ou dores artríticas.

Surpreendentemente, a temperatura nessa forma pode chegar a 400ºC sem que o paciente apresente desconforto.

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Aliás, como os veterinários usam a acupuntura por moxa nos animais domésticos?

Em gatos deve ser feita somente a moxa indireta pela aproximação do bastão aceso, bem como pelo aquecimento das agulhas, fixando-se as bolinhas de moxa acesas no cabo das agulhas.

Sobretudo é um uso muito eficaz nos felinos com artropatias crônicas e pode ser uma forma de substituição da acupuntura nos animais que não permitem a inserção de agulhas.

Nas aves, essa prática deve ser usada com cautela por ser uma técnica yang, bem como pelo fato de as aves terem pele muito fina e mais sensível ao calor que os mamíferos.

Para os répteis, considerados animais de “sangue frio”, a moxa é sempre uma boa opção, já que os crocodilianos são impossíveis de serem agulhados devido as camadas ósseas sobre a pele ou em substituição a esta.

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Ademais, quais os benefícios da moxabustão:

  • Reduzir a rigidez muscular;
  • Promover maior circulação sanguínea local (Xue);
  • Induzir efeitos positivos no sistema imunológico;
  • Ter ação analgésica e cicatrizante.

Contra indicações da moxabustão:

  • A princípio todos os estados Yang (calor excessivo);
  • Pacientes com doenças febris;
  • Estados de excitação – adrenalina;
  • Locais sobre o coração, grandes vasos, fraturas, áreas mamárias…
  • Abdome gravídico;
  • Sobre órgãos sensoriais ou mucosas;
  • Em pacientes inconscientes ou com pouca percepção sensorial;
  • Quadros de inflamação aguda e condições infecciosas.

Aliás, se seu animalzinho apresentar alguma alteração, leve-o para uma consulta com o(a) Médico(a) Veterinário(a) de sua confiança. Certamente, a acupuntura e suas técnicas associadas podem ser boas aliadas ao tratamento na busca de uma melhor qualidade de vida para ele.

E aí, gostou de mais um texto sobre as terapias tradicionais chinesas aplicadas à medicina veterinária? Então, aproveite para saber mais sobre a aplicação da acupuntura em cães com cinomose e como a MVTC ajuda nossos pequenos amigos nessa caminhada contra a doença.


clube dos bichos

Catiane Lopes

Médica veterinária graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2012.
Mestre em Ciência Animal pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2016.
Especialização em acupuntura veterinária pelo Instituto Jaqueline Pecker, em 2013, e pelo Instituto Incisa Imam, em 2018.
Atua como veterinária clínica geral e acupunturista veterinária de pequenos animais.

Instagram: @catianelopes.cl
E-mail: 
catianelopes@yahoo.com.br


Referências:

  1. DRAEHMPAEHL, D; ZOHMANN, A. Acupuntura no cão e no gato: princípios básicos e prática científica.São Paulo: Roca, 1997.
  2. Schoen, A.M. Acupuntura veterinária: da arte antiga à  medicina moderna. São Paulo: Roca, 2006.
  3. LOBO JUNIOR, J.E.S. Acupuntura na prática clínica veterinária. São Paulo.  Interbook, 2012.
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