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Cinomose em cães e seu tratamento pela Medicina Tradicional Chinesa.

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Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC) as viroses, como a cinomose em cães, são as chamadas invasões de agentes patogênicos exteriores no organismo.

Essas invasões virais se classificam quanto à MTC, como invasão de frio e, quanto às bactérias, como invasão de calor.

Em ambos os casos o vento, na MTC, é o fator que carreia estes agentes patogênicos para o interior do organismo.

Então, quais são os sintomas que a invasão de frio (cinomose em cães) e a invasão de calor (febre) causam no animal?

Os sintomas de vento-frio são febre, secreção nasal clara, tosse, pulso superficial. Para vento-calor há febre, secreção amarelada, sede e pulso rápido.

Desta forma, uma infecção inicial do vírus da cinomose canina é uma síndrome de vento-frio, sendo que este frio entra mais profundamente no organismo e gera alterações nas várias camadas de defesa do animal.

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As camadas de defesa são divididas em:

  1. Camada Wei – camada onde se encontra a energia de defesa do organismo. Esta camada bem equilibrada impede a penetração do agente patogênico mais profundamente. Alterações na camada wei representam o estágio inicial e mais externo da doença, e se caracterizam pela luta entre o fator patogênico e o Qi defensivo;
  2. Camada Qi – camada na qual há circulação de energia nutritiva e as energias que abastecem o organismo como um todo. Corresponde à periferia dos meridianos principais e aos vasos de conexão. Após vencer o wei Qi, o fator patogênico se aprofunda até a camada Qi, consumindo o Qi nutritivo;
  3. Camada do ying – trata-se de uma camada mais profunda onde se encontram os fluidos corpóreos e energia nutritiva mais profunda. É responsável pelo fornecimento de Qi para os órgãos. Alterações dessa camada representam um estágio grave da doença, prestes a atingir a camada Xue;
  4. Camada do sangue/xue – relaciona-se com o fornecimento de sangue e jing (essência) aos órgãos. É a camada mais profunda, onde temos as estruturas mais nobres e, por isso, realizamos os processos essenciais para a vida. Quando o agente patogênico afeta esta camada, significa que a doença é muito grave e o óbito está muito próximo, se não houver interferência imediata. Os efeitos nos órgãos desencadeiam no organismo um processo de atrofia generalizada, causando flacidez, principalmente nos músculos.

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Mas na cinomose canina temos apenas o vento-frio (vírus) atuando?

Apesar de a cinomose canina ter em seu início um problema relacionado ao vento-frio, o frio geralmente se transmuta em calor e podemos ver os sinais característicos dos problemas relacionados a invasão e patogenia do calor.

A falta de energia/Qi cria um vazio de sangue e gera um vento interior que muitas vezes resulta em quadros convulsivos, tremores e mioclonias. Sendo nestes casos, utilizados pontos para se retirar vento e tonificar o sangue.

Então, como tratar a cinomose em cães com a Medicina Tradicional Chinesa?

Já que não há um tratamento específico para a “cura da cinomose”, a base da terapia para a cinomose canina pela MTC consiste em tonificar o organismo como um todo, em especial o Qi e o Yin.

Para isso utiliza-se as técnicas de agulhamento simples, da aquapuntura ou da moxabustão, a saber:

  1. Agulhamento Simples – consiste na aplicação de agulhas em pontos de acupuntura escolhidos para o tratamento da cinomose.
  2. Aquapuntura – consiste na técnica de injetar líquidos em pontos de acupuntura, por exemplo solução fisiológica, com a intenção de proporcionar uma maior estimulação no local.
  3. Moxabustão – consiste na aplicação de calor na pele, utilizando um bastão de plantas medicinais. A moxabustão busca tonificar os pontos escolhidos para a recuperação mais rápida do animal.
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Todas essas técnicas da Medicina Tradicional Chinesa Veterinária são utilizadas no tratamento da cinomose canina. Entretanto, a força da estimulação dos pontos de acupuntura irá aumentar sempre que adicionamos os fatores auxiliares. Ou seja, no caso do tratamento da cinomose em cães o agulhamento simples gera o menor estímulo e a moxabustão o maior estímulo do ponto escolhido para o tratamento.

Por fim, outras terapias podem auxiliar na recuperação do paciente pois evitam que haja atrofia muscular, como é o caso da fisioterapia com exercícios passivos e de alongamentos, bem como o uso de fitoterápicos e alimentos para tonificar o aquecedor médio.


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Catiane Lopes

Médica veterinária graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2012.
Mestre em Ciência Animal pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2016.
Especialização em acupuntura veterinária pelo Instituto Jaqueline Pecker, em 2013, e pelo Instituto Incisa Imam, em 2018.
Atua como veterinária clínica geral e acupunturista veterinária de pequenos animais.

Instagram: @catianelopes.cl
E-mail:
catianelopes@yahoo.com.br


Referência Bibliográfica:

Lobo Júnior, José Eduardo Silva. Acupuntura na prática clínica veterinária. Interbook, 2012.

Schoen, A.M. Acupuntura veterinária: da arte antiga à  medicina moderna. São Paulo: Roca, 2006.

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