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Saúde

Diabete Canina: riscos, sintomas, tratamento e prevenção.

Fernando Schimidt

Publicado

em

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Diabete canina é uma das doenças de maior importância na endocrinologia veterinária.

Isso porque, vários são os casos diários em que vemos cães perderem a qualidade de vida pela falta de atuação no momento adequado.

Portanto, saiba mais sobre essa grave doença, veja quais os sinais e o que fazer para prevenir que o seu melhor amigo sofra desse mal.

O que é diabetes?

A diabetes mellitus é uma doença crônica caracterizada pela diminuição da produção do hormônio insulina pelo pâncreas.

Esta alteração provoca um problema no uso da glicose pelo corpo do animal, desenvolvendo, assim, um quadro de hiperglicemia (excesso de glicose no sangue).

E cachorro também pode ter Diabetes?

A diabetes pode atingir nossos cães, sim!

Esta doença é, certamente, um dos principais problemas endócrinos observados por nós, veterinários, em nossos atendimentos de rotina.

Quais as diferenças entre os dois tipos de diabete canina?

A diabetes em cães é classificada de modo semelhante à diabetes em humanos, ou seja, é dividida em Diabetes Mellitus do tipo 1 e 2.

A diabetes do tipo 1 é a doença causada pela destruição das células que produzem a insulina.

Esse tipo tem maior ocorrência em animais adultos e idosos, sendo muito rara em animais com menos de 1 ano de idade.

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A diabetes do tipo 2  é uma doença que se desenvolve pela combinação de diversos fatores.

Essa alteração faz com que haja uma menor ação da insulina no corpo do nosso cães, ou seja, o animal desenvolve uma “resistência à insulina”.

Afinal, quais as causas da diabete canina?

A diabetes canina pode se desenvolver a partir de vários fatores, isolados ou combinados.

Assim, os principais fatores de risco a serem observados são os seguintes: 1) Doença autoimune do pâncreas, 2) Inflamação do pâncreas, 3) Obesidade, 4) Doenças infecciosas, e 5) Fatores genéticos.

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O cão pode se tornar diabético em qualquer fase da vida.

Entretanto, a doença aparece em filhotes com muito pouca frequência, sendo o seu surgimento mais observado em cães com idade acima de 7 anos. 

Diferentes estudos apontam um maior risco relacionado a algumas espécies de cachorro.

Por exemplo: o Poodle, o Schnauzer, o Labrador, o Pinscher, o Beagle e o Pug são animais com maior tendência a desenvolver a doença.

Por outro lado, raças como Boxer, Pastor-alemão, Golden Retriever, American Pitbull Terrier, Collie, Pequinês e Pointer são raças com menor risco de desenvolver diabetes.

Então, quais os sintomas da diabete em cães?

O cachorro diabético apresenta diversos sinais de que está com excesso de açúcar no sangue.

Alguns deles são muito comuns e auxiliam a chegar num diagnóstico, por exemplo:

  1. Muita sede – o cãozinho passou a beber muita água, sem motivo aparente.
  2. Muita fome – seu melhor amigo começou a comer sempre e em maior quantidade.
  3. Perda de peso – mesmo quando a alimentação está adequada ou sendo oferecida a mais.
  4. Muito xixi – o cãozinho faz xixi com muito mais frequência que o normal.
  5. Formigas com mais interesse pelo xixi do seu cachorro.

Mas, os sinais de que seu cão está diabético, muitas vezes, podem passar despercebidos no início da doença. Por isso, devemos ficar sempre atentos a estes sinas.

Parece que meu cão está com diabete, como confirmar o diagnóstico?

Para saber se seu peludo está com diabete canina, é necessário levá-lo ao veterinário.

O tutor deve sempre contribuir com o máximo de informações possível para que o veterinário de seu animalzinho possa verificar, com maior precisão, o que aconteceu com ele.

A confirmação definitiva da diabetes em cachorro é realizada com a avaliação de alguns exames de rotina, a saber: exame de sangue, de urina e mensurar a glicose do seu cãozinho.

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Como é feito o tratamento da diabete canina?

O tratamento, no cão, é realizado com aplicações diárias de insulina.

Esta terapia, muito provavelmente, será realizada pelo resto da vida de seu cãozinho.

Devemos ficar muito atentos na rotina de aplicação e na dose de insulina prescrita pelo médico veterinário, porque o erro em um desses dois fatores pode trazer outras complicações aos seus queridos cãezinhos.

Para um melhor controle da diabetes em seu cão, deve-se fornecer uma alimentação própria para cães diabéticos.

É importante ficarmos bem atentos à quantidade do alimento e ao horário de fornecimento da alimentação, pois a alimentação é importantíssima para o controle dos níveis de glicose no sangue.

Outro hábito importante é a prática de exercícios físicos diários com os nossos melhores amigos. Essa é uma ótima forma de melhorar o controle da diabetes em seu cão.

Então, quais são as complicações que a diabete em cães pode trazer?

Algumas complicações resultantes da diabetes ou do seu tratamento são comuns e podem afetar diversos sistemas do organismo.  

Primeiramente, a principal consequência da diabetes no cão é o surgimento de catarata, podendo levar o cachorro à cegueira.

Além disso, complicações oftálmicas como a retinopatia diabética são comuns também.

Da mesma forma, alterações gástricas podem surgir com pancreatite crônica, podendo o animal desenvolver problemas renais e urinários.

Não bastasse isso, uma consequência grave e emergencial que pode surgir é a cetoacidose diabética, que pode ser evitada com o bom controle glicêmico da diabetes.

Existe cura para a diabete canina?

Na verdade não!!! Mas o seu cãozinho pode, certamente, viver bem por anos e anos.

É importante manter o controle da doença para que o seu melhor amigo tenha bem estar e qualidade de vida, mesmo que tenha sido diagnosticado com diabetes canina.

Mas, para isso, é necessário seguir corretamente todas as orientações do médico veterinário.

Assim, realizar os exames de rotina é de extrema importância para a manter a saúde e a qualidade de vida de seu cachorro.

Portanto, mantenha as visitas ao veterinário com a frequência necessária, assim evitando as sérias complicações causadas pela diabetes canina.

Tem como prevenir a diabetes no meu cãozinho?

A diabetes canina tem como sua principal causa o fator genético e autoimune.

Assim, não há uma forma clara de prevenir o surgimento desta doença, mas, devemos evitar alguns fatores que pré-dispõem ou potencializam uma resistência insulínica.

Importante lembrar que exercícios diários, além de ajudar no controle do peso do seu cãozinho, também melhoram a eficácia da insulina.

Além disso, deve-se evitar o uso desenfreado de corticoides ou outros medicamentos que possam aumentar a resistência insulínica.

Por fim, a realização dos exames rotineiros podem diagnosticar, de forma precoce, outras doenças que podem predispor ao quadro de diabetes.


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fernando

Médico Veterinário graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em 2014.
Especialização em endocrinologia veterinária pela Faculdade Unyleya, em 2019, e pelo Instituto Qualittas, em 2020.
Atua como medico veterinário na área de endocrinologia veterinária e clinica geral de cães e gatos.

Instagram: @viaendocrina
E-mail: viaendocrinavet@hotmail.com


Referência Bibliográfica:

FELDMAN EC, NELSON RW, REUSCH CE, SCOTTMONCRIEFF JC, BEHREND EN. Canine and Feline Endocrinology. 4th ed. Missouri: Elsevier, 2015.

PÖPPL AG, ELIZIERE MB. Doenças do Pâncreas Endócrino: Diabetes Mellitus Canina. In: Jerico MM, Andrade Neto JP, Kogika MM. Tratado de Medicina Interna de Cães e Gatos. São Paulo: Roca p.1747-1760, 2015.

NELSON RW, REUSCH C. Classification and etiology of diabetes in dogs and cats. Journal of Endocrinology; v.222, n.3, 2014.

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