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Porque cachorro come fezes? Coprofagia: O que é? Quais as causas? Como tratar?

Equipe Clube dos Bichos

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coprofagia em cachorro

Porque meu cachorro come fezes? Essa é uma pergunta frequente dos tutores em nossas clinicas. Entretanto, é importante sabermos que a coprofagia, nome científico desse hábito, pode ser tratado.

Qual o significado de coprofagia?

Coprofagia é o termo utilizado para denominar o hábito do cachorro que come fezes com frequência.

Mas o cachorro come apenas as próprias fezes?

Não!!! Muitas vezes os animais que possuem esse hábito comem, além do próprio cocô, também o de outros animais. Até mesmo as fezes de gato podem fazer parte do “dieta” desses bichinhos.

Shih-tzu e Yorkshire são as raças mais predispostas ao hábito de comer fezes?

Ainda não existem pesquisas conclusivas que mostrem com clareza se esta é uma característica mais presente em alguma raça de cachorro específica.

Apesar disso, no dia a dia das clínicas no Brasil, nós médicos veterinários certamente verificamos uma maior quantidade de relatos de coprofagia dos tutores que possuem as seguintes raças de pequeno porte: Shih-tzu, Yorkshire, Spitz alemão e Lhasa-apso.

Contudo, cães de maior porte e gatos também podem apresentar esse comportamento.

Só o meu cachorro come cocô?

Não!!!! Pode ter certeza disso.

Observar nosso cachorro comendo cocô é uma situação que não é muito agradável, não é verdade? Mas calma! Não entre em desespero…. a coprofagia é um comportamento comum em cães. Entretanto, oferece alguns riscos e deve ser evitada ou tratada.

Vamos entender agora por que, quais as causas, os riscos e como tratar esse tipo de comportamento.

Por que meu cachorro come fezes de cachorro ou fezes de gato?

mamão para cachorro parar de comer fezes

Normalmente, os animais que possuem esse hábito demonstram, a nós veterinários, a existência de alguma disfunção, seja ela alimentar/nutricional, fisiológica/doença ou, além disso, podendo ser apenas o desenvolvimento desse costume por motivo comportamental.

Nada impede que haja uma associação entre esses 3 principais motivos. Entretanto, para eliminá-los, diversas linhas de atuação podem ser utilizadas.

Como atuar nas causas? E quais os riscos para o cachorro que come fezes?

1º – Descarte os motivos médicos, sejam eles nutricionais e/ou fisiológicos.

Apesar de não serem as principais causas de coprofagia, a eliminação de possíveis doenças e/ou deficiências nutricionais traz mais segurança e clareza da real condição de saúde do cachorro que apresenta o costume de comer fezes.

As principais causas a serem pesquisadas pelo médico veterinário são as seguintes:

  • Problemas Nutricionais: falta de fibra nas dietas, baixa qualidade da alimentação do animal e ingestão de calorias em quantidade insuficiente.
  • Problemas Fisiológicos/Doenças: diabetes, problemas da tireoide, gastrites, verminoses, problemas no fígado ou no pâncreas.

Como vemos, existe uma grande diversidade de fatores que podem desencadear a coprofagia em cães. Entretanto, uma análise simples do cachorro aliada a exames laboratoriais de rotina elimina facilmente várias das causas listadas acima.

Portanto, descartadas as causas fisiológicas/doenças, conseguimos seguir com mais foco para a eliminação dos fatores comportamentais que influenciaram o animal a estabelecer esse péssimo hábito.

fezes de gato
Imagem de Rachel Nelson por Pixabay

2º Atue para restabelecer o comportamento natural do seu animal.

A  maioria dos episódios de ingestão de fezes pelos cães tem origem comportamental. Então, quando buscamos as causas desses distúrbios comportamentais, encontramos vários fatores, como:

  • Tédio: cães que são pouco estimulados, e se exercitam pouco, tendem a ficar entediados e podem começar a comer fezes.
  • Medo/Reforço negativo: quando o animal é repreendido por fazer cocô em um lugar proibido, ele pode, como resultado desse estresse, comer as fezes para esconder a prova do ato e para não ser repreendido.
  • Isolamento e/ou Confinamento: cães que ficam sozinhos ou em locais pequenos por muito tempo são mais suscetíveis a desenvolverem coprofagia.
  • Chamar atenção: sempre que nos exaltamos no exato momento em que o cachorro está comendo cocô, eles automaticamente identificam como um comportamento eficiente para ter nossa atenção.
  • Associação inapropriada com a área de alimentação: alguns cães que se alimentam perto do local onde fazem cocô podem associar as fezes com comida, já que os cheiros ficam todos misturados no mesmo ambiente.

Existe algum risco para o meu cachorro quando ele come cocô?

Na maioria dos casos, a ingestão de fezes não traz prejuízos aos cachorros. Entretanto, quando a causa não é comportamental, alguns animais podem apresentar consequências negativas como a reinfestação por vermes, episódios de diarreias brandas ou, até mesmo, quadros severos de problemas intestinais.

Sendo assim, devemos sempre fazer o tratamento dos cães que apresentem esse péssimo hábito.

E quando o cachorro come fezes de gato… faz mal?

Alguns cães não comem as próprias fezes, mas sim as fezes dos gatos. Isso acontece porque a ração dos felinos apresentam um maior teor de proteínas e de flavorizantes, fazendo com que as fezes dos felinos sejam atrativas para cães.

Como fazer o tratamento de cachorro que come fezes? Tem algum remédio pro meu cachorro parar de comer fezes?

Primeiramente, se a causa for médica, o veterinário de sua confiança irá indicar a melhor conduta para o tratamento do animal. Em suma, entre as mais comuns podemos exemplificar: uso de medicamentos para tratar verminoses, aumento da qualidade ou quantidade de alimento, administração de complexos vitamínicos, entre outros.

Entretanto, para as causas comportamentais, deixamos abaixo algumas dicas especiais para auxiliar você a eliminar esse hábito.

1. Forneça uma alimentação balanceada para o seu bichinho:

A quantidade e a qualidade da alimentação são primordiais para se criar animais saudáveis.

Se a alimentação do seu bichinho é natural, então procure um médico veterinário nutricionista, para que ele monte uma dieta específica para o seu animal.

2. Fracione a ração dos cachorros em 3 a 4 pequenas refeições diárias:

Essa estratégia faz com que o animal sinta menos fome durante todo o dia.

3. Diminua o tédio e a ansiedade do cachorro:

Aumente a frequência das caminhadas – nesta fase melhor fazer entre 2 a 4 caminhadas de 20 minutos por dia.

Da mesma forma, estimule seu animal com passeios por diferentes rotas e evite deixar o seu cão sozinho.

4. Não recolha as fezes em frente ao animal:

Ao recolhermos as fezes na frente do animal ele pode entender que o cocô deve ser retirado do ambiente e, dessa forma, a única opção dele fazer isso por você é comendo.


5. Bloqueie o acesso do cão à caixa de areia do gato
.

6. Não puna o animal quando ele defecar em local inapropriado.

7. Separe bem o local de alimentação de onde o animal faz suas necessidades fisiológicas;

8. Mantenha o ambiente onde o animal vive sempre limpo e organizado;

9. Utilize produtos capazes de dar cheiro e sabor desagradáveis para as fezes, desencorajando os cães a ingeri-las;

Por fim, a melhor dica, que serve não só para a coprofagia mas também para a maioria dos problemas comportamentais:

Ofereça uma excelente qualidade de vida ao animal!!!


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Aproveite para assistir também aos vídeos que publicamos lá no canal do YOUTUBE e as outras matérias de Saúde aqui do site! Abraços e até a próxima.


Clube dos Bichos – Publicado em 18 de março de 2020.

Clube dos Bichos – Publicado em 19 de março de 2020.

Referências Bibliográficas:

FARACO, C.B.; SOARES, G. Comportamento de eliminação em caninos. Fundamentos do comportamento canino e felino. Editora MedVet, Cap. 9, p.101-120, São Paulo, 2013.

LANTZMAN, M. Coprofagia em cães: um estudo de caso. Revista ciência biológica ambiental, v.2, n.1, p.35- 49, 2010.

SOARES, G.M.; DANTAS, L.M.S.; ALMEIDA, J.M.; et al. Epidemiologia de problemas comportamentais em cães no Brasil: inquérito entre médicos veterinários de pequenos animais. Ciência Rural, v.40, n.4, p.873-879, 2010.

HENZEL, M. O enriquecimento ambiental no bem-estar de cães e gatos. Porto Alegre. Monografia – Faculdade de Veterinária, Universidade federal do Rio Grande do Sul. 2014.

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