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Olho de cereja em cachorro! O que fazer? [“Cherry eye”]

Equipe Clube dos Bichos

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bolinha no olho de cão

Será que é olho de cereja em cachorro?

Os olhos de cereja em cachorro, popularmente conhecido como “bolinha no olho do cachorro”, “carne no olho do cachorro”, “caroço no olho do cachorro” ou “cherry eye”, é tecnicamente chamado de protrusão da glândula lacrimal da 3ª pálpebra.

Saiba o que é, quais as causas, os sintomas e o que fazer com seu bichinho se ele estiver nesta situação.

O que é a bolinha no olho do cachorro?

É a protrusão da glândula lacrimal (3ª pálpebra). Mas o que é a 3ª pálpebra? Os olhos dos animais domésticos possuem algumas estruturas anexas, como por exemplo, os cílios, as pálpebras, as glândulas lacrimais, os músculos oculares e a 3ª pálpebra.

olho-de-cereja-cachorro

Portanto, a 3ª pálpebra é uma dobra da mucosa ocular, de forma aproximadamente triangular, que fica no canto de cada olho.

Quais as funções da 3ª pálpebra?

Ela tem, basicamente, as seguintes funções: proteção mecânica do olho, proteção imunológica do olho e produção de lágrima.

A principal função da estrutura é a proteção mecânica, pois é feita quando o músculo retrator puxa o olho para trás, fazendo com que a 3ª pálpebra faça o movimento de cobertura da superfície ocular.

A segunda função que desempenha é a de defesa imunológica. Igualmente importante, a função é realizada pelo tecido linfoide: tecido que produz alguns anticorpos fundamentais na prevenção de infecções oculares.

Por fim, a última das principais funções é a produção de lágrima. A glândula lacrimal é responsável por cerca de 30 a 50% de toda lágrima produzida no olho.

Aliás, é justamente essa glândula que pode gerar alguns problemas aos animais.

Então, quais as causas do aparecimento da bolinha no olho (cherry eye)?

Normalmente, o que acontece é que seu cãozinho vai estar super bem, brincando, correndo, comendo. Mas, de repente, chega perto de você com uma massinha avermelhada, lisa e brilhante no canto do olho.

Entretanto, as causas dessa alteração ainda não estão muito bem esclarecidas. Acredita-se que o aparecimento se dá quando os ligamentos da estrutura estão muito fracos.

Certamente essa fraqueza possibilita que a glândula se projete acima da borda da 3ª pálpebra, ficando em contato com o ambiente. Assim, essa exposição permite um maior atrito e, também, ressecamento da glândula, provocando a inflamação.

Então, a glândula aumenta de tamanho e fica vermelha pelo aumento do fluxo sanguíneo no local.

Os tutores de animais, no geral, relacionam essas características com uma cereja, por isso também conhecemos a alteração com o OLHOS DE CEREJA em cães.

Entretanto, é necessário saber se o caso é realmente de olho de cereja. Há várias outras enfermidades que se confundem com o cherry eye e precisam de avaliação diferencial. Saiba tudo sobre todas as doenças parecidas neste post.

Olho de cereja em cachorro volta sozinho?

Existe a possibilidade de se fazer o tratamento clínico conservativo, embora seja reservado aos casos recentes e com pouca gravidade.

A critério do médico veterinário, pode ser utilizadas combinações de colírios. Entretanto, isso não resulta na resolução do quadro, sendo que na maioria dos casos o problema é apenas adiado para um tratamento definitivo num período futuro.

É importante lembrar também que doenças parecidas com o “cherry eye”, como por exemplo a eversão da cartilagem, nódulos no olho, dentre outras, poderão ter diferentes tratamentos a serem prescritos pelo médico veterinário.

O olho de cereja pode cegar?

Se olho de cereja não for tratado, ou se demorar para ser tratado, pode haver lesões graves na córnea, seja pelo contato direto da glândula com a superfície da córnea, ou mesmo pelo próprio animal ao esfregar o olho irritado.

Dependendo do grau da lesão o animal pode ter comprometimento da sua capacidade visual. Ou seja, certamente as complicações do olho de cereja pode cegar o animal não tratado.

Posso dar remédio caseiro para olho de cereja?

Embora existam alguns famosos protocolos de tratamentos alternativos (caseiros) para os casos de olhos de cereja, devemos frisar que eles não possuem nenhum tipo de eficácia comprovada e que, inclusive, oferecem graves riscos à saúde de nossos animais, sendo totalmente contraindicados.

Então, como tratar olho de cereja (cherry eye) em cachorro?

O tratamento de escolha para corrigir o problema é por meio da cirurgia da bolinha do olho do cachorro. Referida cirurgia consiste em reposicionar a glândula para que volte ao seu lugar anatômico correto.

tratar olho de cereja em cachorro

Portanto, existem algumas técnicas disponíveis e o cirurgião veterinário deve verificar qual a melhor a ser aplicada em cada caso clínico. No pós-operatório, o animal deverá receber algumas medicações e fazer uso do colar elisabetano (foto), para permitir a cicatrização adequada do local operado.

A fraqueza dos tecidos que seguram a glândula lacrimal é uma característica que tem caráter hereditário, ou seja, existe a possibilidade de que os filhos de animais que apresentaram essa alteração também desenvolvam a característica.

Além disso, devemos estar cientes de que os animais que apresentam essa alteração em um dos olhos possuem grandes chances de sofrerem da mesma patologia no outro olho. Infelizmente, não existem medicamentos ou procedimentos que possam prevenir essa alteração.

Caso seu animal apresente a protrusão da glândula lacrimal da 3ª pálpebra, procure o seu veterinário de confiança para que ele possa avaliar e propor o tratamento mais indicado ao caso.


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Então, aproveite para assistir também ao vídeo que publicamos lá no canal do YOUTUBE e as outras matérias de Saúde aqui do site! Abraços e até a próxima.


Referências Bibliográficas:

SANTOS, I.F.C: Prolapso Da Glândula Da Terceira Pálpebra Em Cão – Relato De Caso, Acta Veterinaria Brasilica, v.6, n.4, p.329-334, 2012.

MOTTA, G. R. Protrusão da glândula da terceira pálpebra em cães (Canis familiaris): relato de caso.  2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais) – Universidade Castelo Branco, Belo Horizonte, 2015.

GALERA, P.D.; FALCÃO, M.S.; CASTELLON, M.F.L.F. Particularidades oftálmicas das raças braquicefálicas. MEDVEP. Rev. Cient. Med. Vet. Peq. Anim. Anim. Estim., v.7, p.80-88, 2009.

GELATT, K.N.: Vaterinary Ophthamology, 4.ed, Blackwell Publishing, 2007.

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